Construções sustentáveis

A construção civil é um setor que causa enorme impacto no nosso planeta. Toda a atividade de construção civil carrega consigo uma responsabilidade por utilizar os materiais da natureza para transformar o meio. A intensa exploração dos recursos naturais acaba por degradar o meio ambiente, tornando os recursos naturais cada vez mais escassos.

Diante desse cenário, diversas iniciativas mundiais têm sido criadas com a preocupação da finitude dos recursos e da estabilidade do meio ambiente. O termo sustentabilidade tem sido falado, desde 1972, com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, como um conceito que abrange essa preocupação.

Sustentabilidade na construção civil

O conceito básico de sustentabilidade diz que algo é sustentável se é possível viver dentro da capacidade de suporte do planeta, ou seja, que uma vivência sustentável é aquela que não prejudica a abundância de recursos para as gerações futuras.

É comum associarmos sustentabilidade à redução do impacto ambiental. Porém, a conceituação de sustentabilidade é baseada em um tripé, composto pelas esferas ambiental, social e econômica.

Assim, um conceito, produto ou estratégia pode ser considerado sustentável se estiver na interseção das três esferas, ou seja, não deve ser prejudicial ao meio ambiente, deve proporcionar benefício à sociedade e deve ser viável economicamente. Alguns estudiosos ainda buscam a adição de uma quarta esfera: a cultural, afirmando que a estratégia sustentável deve ser aceita culturalmente.

Na construção civil, diversas temáticas são derivadas da abrangência das esferas da sustentabilidade. Alguns conceitos são prerrogativas básicas para edificações sustentáveis, como conforto, acessibilidade e qualidade. Por exemplo, uma edificação energeticamente eficiente é aquela que possui um melhor desempenho térmico e, por consequência, menor consumo de energia para garantir o conforto térmico, seja por resfriamento ou aquecimento dos ambientes. Há ainda a preocupação com o conforto acústico e lumínico, a segurança, a qualidade do ar, entre outros.

Quando falamos em edifícios sustentáveis, ou edifícios verdes, geralmente pensa-se em estratégias onerosas, de tecnologia de ponta e de difícil implantação, operação e manutenção. Porém, ao contrário do que este ímpeto de pensamento sugere, muitas estratégias são simples e até lógicas de serem implementadas. Utilizar materiais da região onde a obra será construída, por exemplo, consome menos energia para o transporte e contribui para a inserção social da indústria e comércio local. O aproveitamento da água de chuva também é uma estratégica lógica e de fácil implantação e operação. Aproveitar a água que cai do céu é simples e, tomando-se os cuidados necessários, pode-se obter, com segurança, uma água de qualidade tão boa ou melhor do que a água proveniente da concessionária. Além disso, o aproveitamento contribui para a preservação dos rios e lagos (de onde a água da concessionária é retirada) e reduz as chances de faltar água quando há problemas na distribuição.

Cada vez mais estão disponíveis no mercado produtos e serviços para proporcionar a sustentabilidade na construção civil. Contudo, é importante tomar alguns cuidados. Com a difusão dos benefícios da sustentabilidade, é comum encontrarmos “greenwashing”, que é um termo utilizado quando uma empresa ou organização tenta dizer que seu produto ou serviço é aderente ao conceito de sustentabilidade, porém não o é, valendo-se do conceito apenas para lucrar mais.

Buscando mitigar este problema e fomentar estas estratégias, diversas iniciativas no mundo criaram certificações de sustentabilidade, também chamados de selos verdes, que buscam mensurar o grau de sustentabilidade por meio de indicadores, em diversos aspectos (preservação da água, eficiência energética, qualidade do ar, entre outros). O infográfico a seguir apresenta alguns exemplos de certificações existentes.

Pelo infográfico vemos que em países mais desenvolvidos há a maior concentração de edifícios certificados. O que sugere que há uma influência mútua entre sustentabilidade de desenvolvimento humano. Edificações mais sustentáveis contribuem para o conforto, consciência e até felicidade dos usuários. Uma das grandes questões está relacionada à cultura da construção civil, que nestes países é mais desenvolvida e industrializada, possuindo inclusive legislações que obrigam os edifícios a possuírem certificações sustentáveis, como é o exemplo da Europa e Estados Unidos. Atualmente, no Brasil, apenas edifícios públicos federais novos, ou que recebam uma reforma, têm obrigatoriedade de possuir a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE­), regulamentada pelo INMETRO (RTQ). O Brasil está dando seus primeiros passos em relação a sustentabilidade nas construções, mas ainda há muito a ser feito!

Aqui na RainMap, focamos em estimular o uso racional da água por meio do aproveitamento da água de chuva. O aproveitamento é uma tática amplamente difundida e aceita como uma estratégia sustentável. Recentemente, foi indicada pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, 2016) como uma forma de mitigar os impactos advindos das mudanças climáticas também.

Por que aproveitar a água da chuva?

O aproveitamento de água da chuva é uma estratégia que traz benefícios do âmbito econômico, social e ambiental. Além de estimular a preservação dos corpos hídricos, a utilização de água da chuva reduz picos de alagamentos nas cidades, problemas de erosão e pode contribuir para diminuir a fatura de água consumida pelas edificações.

Ficou interessado?

Para te auxiliar a quantificar os benefícios que podem ser obtidos na sua edificação, a RainMap disponibiliza uma plataforma de simulação bem amigável que pode ajudar a avaliar essa questão!

 

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Cofundador e diretor técnico da RainMap Sistemas Sustentáveis. Mestre e Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina, com ênfase na área de Aproveitamento de Águas Pluviais em Edificações.

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